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COLETÂNEA (Leis,
Decretos e Portarias)

DECRETO Nº 26.052, DE 10 DE NOVEMBRO DE 2000
DOE nº 216, de 13 de novembro de 2000
Dispõe sobre a estrutura e o funcionamento
dos colégios militares estaduais e dá outras providências.
O GOVERNADOR DO ESTADO DO CEARÁ,
no uso das atribuições que lhe confere o art.88, incisos
IV e VI, com fundamento na Lei Estadual nº 12.999, de 14 de janeiro
de 2000, e:
CONSIDERANDO a importância da criação de colégios
militares estaduais e de dispor sobre suas estruturas e funcionamento,
contribuindo, inclusive, para o atendimento da demanda escolar no ensino
fundamental e médio;
CONSIDERANDO a necessidade de preparação de candidatos
ao ingresso nas corporações militares estaduais; e
CONSIDERANDO o interesse de se fomentar nas crianças e nos jovens
o sentimento de amor à Pátria, a sadia mentalidade de disciplina
consciente, o culto às tradições nacionais e regionais,
e o respeito aos direitos humanos;
DECRETA:
CAPÍTULO I
DOS COLÉGIOS MILITARES ESTADUAIS E SUA ESTRUTURA
Art.1º - Ficam criados dois colégios militares estaduais,
com as seguintes denominações:
I - o Colégio da Polícia Militar, integrando a estrutura
organizacional da Polícia Militar do Ceará; e,
II - o Colégio Militar do Corpo de Bombeiros, integrando a estrutura
organizacional do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Ceará.
Art.2º - O Colégio da Polícia Militar absorverá
o corpo de alunos do atual Colégio da Polícia Militar do
Ceará, instituição de educação criada
nos termos da Lei estadual nº4.945, de 9 de setembro de 1960, que
fica extinta.
Art.3º - O Colégio Militar do Corpo de Bombeiros absorverá
o corpo de alunos atualmente matriculados na instituição
comunitária de educação, administrada por associação
civil, que vem funcionando com apoio do Corpo de Bombeiros Militar.
Parágrafo Único - Absorvido o corpo de alunos na forma
indicada no caput deste artigo, cessa toda e qualquer colaboração
do Corpo de Bombeiros Militar com a instituição comunitária
de educação indicada.
Art.4º - Os colégios militares estaduais integram o sistema
de ensino estadual e seu regular funcionamento será objeto de autorização
ou reconhecimento perante o Conselho Estadual de Educação.
Art.5º - Os Colégios Militares estaduais terão a seguinte
estrutura organizacional:
1. Comando;
2. Subcomando;
3. Ajudância;
4. Assessoria de Comunicação Social;
5. Diretoria Administrativa Financeira;
6. Diretoria de Ensino e Instrução;
7. Diretoria Pedagógica;
8. Comando do Corpo de Alunos.
Art.6º - O Comando dos Colégios Militares é estruturado
da seguinte forma:
1. Comando;
2. Subcomando;
3. Ajudância;
4. Assessoria de Comunicação Social.
Art.7º - A Diretoria Administrativo-Financeira compreende:
1. Diretor Administrativo Financeiro;
2. Tesouraria;
3. Pelotão ou Seção de Comando de Serviço;
4. Almoxarifado e Aprovisionamento.
Art.8º - A Diretoria de Ensino e Instrução compreende:
1. Diretor de Ensino;
2. Seção Técnica, com setor de meios, constituído
por:
2.1.Laboratório de Biologia;
2.2.Laboratório de Química;
2.3.Laboratório de Física;
2.4.Laboratório de Informática;
2.5.Matemática;
2.6.Videoteca;
2.7.Biblioteca; e,
2.8.Centro de Atividades Lúdicas.
3. Seção de Coordenação de Ensino - (SCE),
compreendendo:
3.1. Coordenação A - de Ensino Fundamental da 1ª a
4ª série;
3.2. Coordenação B - de Ensino Fundamental da 5ª a
8ª série;
3.3.Coordenação C - de Ensino Médio da 1ª a
3ª série;
3.4.Coordenação D - Educação Física.
Art.9º - A Diretoria Pedagógica compreende:
1. Diretor Pedagógico;
2. Assessoria Pedagógica;
3. Secretaria Escolar;
4. Seção de Orientação Escolar.
Art.10 - O Corpo de Alunos - CA, compreende:
1. Comando;
2. Subcomando;
2.1. - 1ª, 2ª, 3ª, 4ª Companhias;
2.2. - Serviço de Assistência ao Aluno - SAA:
2.2.1. Serviço de Assistência Social;
2.2.2. Gabinete Médico;
2.2.3. Gabinete Odontológico;
2.2.4. Gabinete Psicológico.
Art.11 - O Comando de Colégio Militar Estadual será exercido
por Coronel da ativa, do quadro de oficiais da respectiva corporação
militar, de livre indicação do Comandante-Geral, nomeado
e exonerado livremente pelo Governador do Estado.
Art.12 - O Subcomando de Colégio Militar Estadual será
exercido por Tenente-Coronel da ativa, do quadro de oficiais da respectiva
corporação militar, de livre indicação do
Comandante-Geral, nomeado e exonerado livremente pelo Governador do Estado,
acumulando as funções de Diretor de Ensino e Instrução.
Art.13 - A Diretoria Pedagógica dos Colégios Militares
Estaduais será exercida por oficial superior da respectiva corporação
militar ou por civil devidamente habilitado, seguindo-se os critérios
estabelecidos pela Secretaria da Educação Básica.
Art.14 - A Diretoria Administrativo-Financeira será exercida por
Major da ativa do quadro de oficiais da respectiva corporação
militar.
Art.15 - O Comandante, Subcomandante e Diretores de Colégio Militar
estadual serão indicados pelos Comandantes-Gerais das respectivas
corporações militares, tendo seus nomes homologados pelo
Secretário de Segurança Pública e Defesa da Cidadania.
Art.16 - A competência de cada órgão da estrutura
dos Colégios Militares será definida em Regimento Interno,
aprovado pelo Secretário da Segurança Pública e Defesa
da Cidadania.
Art.17 - Fica estabelecido o efetivo dos Colégios Militares Estaduais,
conforme discriminado no Quadro de Organização e Distribuição
Anexo I deste Decreto, que será provido mediante remanejamento
de pessoal das demais unidades das respectivas corporações
militares.
CAPÍTULO II
DA COMPETÊNCIA
Art.18 - Compete aos colégios militares estaduais, observada a
legislação federal e estadual em vigor:
I - preparar candidatos para ingresso nas forças militares estaduais;
II - atender ao ensino assistencial para os dependentes legais de militares
estaduais e de policiais civis;
III - ministrar ensino básico (fundamental e médio) para
alunos de ambos os sexos, inclusive para filhos de civis;
IV - desenvolver nos alunos o sentimento de amor à Pátria,
a sadia mentalidade de disciplina consciente, o culto às tradições
nacionais, regionais e o respeito aos direitos humanos;
V - aprimorar as qualidades físicas do educando;
VI - despertar vocações para a carreira militar.
Art.19 - Ficam reservadas 50% (cinqüenta por cento) das vagas oferecidas
pelas Corporações Militares para os exames de seleção
aos Cursos de Formação de Oficiais - CFO, de Formação
de Sargentos – CFS e de Formação de Soldados de Fileiras
-CFSF aos alunos dos Colégios Militares do Estado, aprovados nos
correspondentes concursos, sendo as demais vagas, inclusive as eventualmente
remanescentes do percentual acima, ocupadas pelos demais candidatos.
Parágrafo Único - Tendo em vista a duração
dos cursos a que se refere o caput deste artigo e a época de aquisição
da maioridade pelo possível futuro concludente, assim como os limites
máximos de idade fixados nas normas militares estaduais, ficam
estabelecidas as seguintes faixas de idade, na data da inscrição,
para ingresso no respectivo Curso, conforme discriminado a seguir:
CURSO IDADE DE INGRESSO
Curso de Formação de OficiaisCurso de Formação
de SargentosCurso de Formação de Soldados de Fileiras De
16 a 22 anosDe 18 a 24 anosDe 18 a 24 anos
Art.20 - Ficam autorizados os Colégios Militares Estaduais a celebrar
convênios com outras instituições de ensino, a fim
de oferecer vagas em cursos pre-vestibulares ou supletivos.
SEÇÃO I
DA GESTÃO ADMINISTRATIVA
Art.21 - A Secretaria da Educação Básica, a Secretaria
de Ciência e Tecnologia, a Secretaria de Segurança Pública
e Defesa da Cidadania e a Secretaria de Administração proverão
os colégios militares estaduais de recursos financeiros, patrimoniais
e humanos dentre profissionais da educação integrantes do
corpo docente, técnicos, auxiliares e membros do núcleo
gestor e outros recursos. humanos, garantindo assim o seu bom funcionamento.
Art.22 - Os colégios militares estaduais submeter-se-ão
às fiscalizações, inspeções e orientações
emanadas da Administração Pública Estadual.
SEÇÃO II
DA GESTÃO FINANCEIRA
Art.23 - Os colégios militares estaduais cobrarão dos seus
alunos as seguintes contribuições:
I - uma contribuição de material correspondente ao valor
de uma quota mensal escolar, destinada a prover as despesas decorrentes
do ingresso do aluno na instituição de ensino;
II - doze quotas mensais escolares (contribuições) no valor
de R$25,00 (vinte e cinco reais) cada uma, destinadas a prover as despesas
gerais de ensino, reajustável por ato do Secretário da Segurança
Pública e Defesa da Cidadania;
III - uma quota-etapa no valor de meia etapa, quando se tratar de aluno
semi-interno, e, de uma etapa, quando se tratar de aluno interno, destinadas
a prover despesas com alimentação, estabelecida pelo Serviço
de Aprovisionamento das Corporações;
IV - indenização de despesas não previstas, feitas
pelo aluno.
§1º - Dentre os contribuintes, os dependentes legais de militares
do Estado do Ceará gozarão dos seguintes abatimentos:
a) - alunos dependentes de militares de graduação de soldado
a subtenente terão abatimento de 50% (cinqüenta por cento)
no valor das contribuições;
b) - alunos dependentes de militares dos postos de oficiais subalternos
(PM ou BM) a major terão abatimento de 30% (trinta por cento) no
valor das contribuições;
c) - alunos dependentes de militares dos postos de tenente-coronel e
coronel terão abatimento de 20% (vinte por cento) no valor das
contribuições.
§2º - Os alunos contribuintes dependentes legais de policiais
civis de carreira ocupantes dos cargos de:
a) Auxiliar de Perícia, Inspetor de Polícia Civil, Escrivão
de Polícia Civil, Operador de Telecomunicações Policiais,
Técnico de Telecomunicações Policiais terão
direito ao abatimento previsto na alínea “a” do parágrafo
anterior;
b) Delegado de Polícia Civil de 1ª e 2ª Classes, Perito
Legista de 1ª, 2ª e 3ª Classes, Perito Criminalista de
1ª, 2ª e 3ª Classes e Professor da Academia de Polícia
Civil terão direito ao abatimento previsto na alínea “b
“do parágrafo anterior; e
c) Delegado de Polícia Civil de 3ª Classe e Especial, Perito
Legista Classe Especial e Perito Criminalista Classe Especial terão
direito ao abatimento previsto na alínea “c” do parágrafo
anterior.
§3º - Observado o disposto nos parágrafos 1º e
2º deste artigo, ficam os Comandantes dos Colégios Militares
Estaduais, mediante aprovação do Comandante-Geral, autorizados
a conceder, a partir do terceiro dependente do mesmo pai ou responsável,
de qualquer condição, abatimento de 20% (vinte por cento)
por dependente, até o máximo de 80% (oitenta por cento),
sobre os valores das quotas mensais e de contribuição de
material, mediante requerimento da parte interessada.
§4º - A dispensa das contribuições previstas
no artigo 8º deste Decreto fica assegurada, exclusivamente, aos alunos
carentes, assim considerados mediante comprovação em sindicância,
instaurada pelo comando do colégio, nos termos do regulamento,
e submetida à apreciação do Comandante Geral.
Art.24 - A gestão dos recursos para a administração
e manutenção dos Colégios será feita através
de Fundo a ser criado para este fim.
CAPÍTULO IV
DO FUNCIONAMENTO
SEÇÃO I
DO INGRESSO
Art.25 - O número de vagas para ingresso nos colégios militares,
por concurso de admissão, será fixado anualmente pelo Secretário
de Segurança Pública e Defesa da Cidadania, mediante proposta
dos Comandantes dos Colégios.
§1º - Os candidatos a ingresso nos colégios militares
estaduais pagarão taxa de inscrição no concurso de
admissão, no valor de uma quota mensal escolar, observando-se a
possibilidade de dispensa desta contribuição, exclusivamente,
aos alunos carentes, assim considerados mediante comprovação
em sindicância, instaurada pelo comando do colégio, nos termos
do regulamento, e submetida à apreciação do Comandante
Geral.
§2º - 50% (cinqüenta por cento) das vagas existentes no
concurso de admissão, por série, serão destinadas
ao preenchimento por parte de candidatos aprovados, dependentes legais
de policiais militares, bombeiros militares e policiais civis de carreira
do Estado do Ceará, sendo as demais vagas, inclusive as eventualmente
remanescentes do percentual acima, ocupadas pelos demais candidatos aprovados.
§3º - Fica reservado o quantitativo de 20 vagas em cada colégio
que serão preenchidas de acordo com a determinação
dos Comandantes-Gerais, a fim de atender dependentes de militares ou policiais
civis em trânsito ou que estejam participando de cursos com duração
de mais de seis meses, sendo as eventuais vagas remanescentes preenchidas
por candidatos aprovados.
Art.26 - Havendo vaga, é permitida a transferência de aluno
entre os colégios militares estaduais, desde que reconhecida a
conveniência e oportunidade da medida por ambos os respectivos Comandos,
em consonância com os Comandantes-Gerais, mediante requerimento
da parte interessada.
SEÇÃO II
DO CORPO DOCENTE
Art.27 - O corpo docente dos colégios militares será constituído
de instrutores e monitores militares, dentre oficiais e praças
das Corporações Militares e professores civis oriundos da
Secretaria da Educação Básica e/ou professores visitantes.
Art.28 - Os instrutores e monitores dos Colégios Militares, perceberão
por hora-aula os valores discriminados no art.100 da Lei estadual nº
11.167, de 7 de janeiro de 1986, com as alterações promovidas
pelo art.8º da Lei nº 13.035, de 30 de junho de 2000, observando-se
a seguinte correspondência de níveis:
Correspondência INSTRUÇÃO
Nível IEnsino MédioNível IIEnsino Fundamental Curso
de Formação de Oficiais, Curso de Habilitação
de Oficiais, e demais cursos e estágios a Cargo da Academia de
Polícia Militar.Curso de Aperfeiçoamento de Sargentos, Curso
de Formação de Sargentos, Curso de Formação
de Cabos e demais cursos e estágios a cargo do Centro de Formação
e Aperfeiçoamento de Praças e do Centro de Treinamento e
Desenvolvimento Humano, Curso de Formação de Soldados, Instrução
de Manutenção e Instrução à Distância.
Correspondência MONITORIA
Nível IEnsino MédioNível IIEnsino Fundamental Curso
de Formação de Oficiais, Curso de Habilitação
de Oficiais, e demais cursos e estágios a Cargo da Academia de
Polícia Militar.Curso de Aperfeiçoamento de Sargentos, Curso
Ensino de Formação de Sargentos, Curso de Formação
de Cabos e demais cursos e estágios a cargo do Centro de Formação
e Aperfeiçoamento de Praças e do Centro de Treinamento e
Desenvolvimento Humano, Curso de Formação de Soldados, Instrução
de Manutenção e Instrução à Distância.
§1º - As aulas ministradas por professores visitantes serão
pagas nas mesmas bases estabelecidas no artigo anterior para os instrutores.
§2º - Quando o professor visitante for servidor do Estado,
será remunerado de acordo com o art.132, inciso IX, da Lei nº
9.826, de 14 de maio de 1974, regulamentado pelo art.1º do Decreto
nº24.982, de 15 de junho de 1998.
§3º - Fica vedada a concessão da gratificação
de que trata o caput deste artigo aos militares que atuam com base no
Decreto nº24.338, de 16 de janeiro de 1997.
Art.29 - A nomeação de instrutores e monitores especificada
no art.27 deste Decreto será feita mediante Portaria do Comandante-Geral
de cada Corporação, observados rigorosamente os requisitos
e critérios estabelecidos pela Secretaria da Educação
Básica.
CAPÍTULO V
DO PATRIMÔNIO
Art.30 - Integram o patrimônio dos colégios militares estaduais
todo o acervo de bens e direitos a eles destinados pelos Comandos-Gerais
das respectivas Corporações Militares.
Parágrafo Único - Todos os valores arrecadados pela associação
civil que anteriormente administrava a instituição comunitária
de educação, que vem funcionando com apoio do Corpo de Bombeiros
Militar, deverão ser objeto de prestação de contas
e repasse ao Colégio Militar do Corpo de Bombeiros, através
do Comando-Geral da Corporação, devendo os outros bens públicos
ainda de posse da associação civil serem requisitados com
a mesma finalidade.
Art.31 - O uso das dependências dos prédios dos colégios
militares por terceiros, deverá obedecer ao disposto na legislação
aplicável, inclusive à Lei de Licitações.
CAPÍTULO VI
DISPOSIÇÕES FINAIS
Art.32 - Os colégios militares estaduais terão prazo de
120 (cento e vinte) dias, a partir da data de publicação
deste Decreto, para elaborarem seus regulamentos, regimentos e normas,
necessárias ao seu pleno funcionamento, devendo ser submetidos
à aprovação dos Secretários da Educação
Básica e de Segurança Pública e Defesa da Cidadania.
Art.33 - Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação,
revogadas as disposições em contrário.
PALÁCIO DO GOVERNO DO ESTADO DO CEARÁ,
em Fortaleza, aos 10 de novembro de 2000.
TASSO RIBEIRO JEREISSATI
GEN. DIV. CÂNDIDO VARGAS DE FREIRE
JOSÉ WILTON BESSA MACÊDO SÁ

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